domingo, 17 de maio de 2026

 

 

 

               Lula Briga Com o Diabo

            Por causa da eleição.

             Autor: Luiz Alves da Silva

 

Lula ia caminhando

Numa estrada de poeira

Avistou à sua frente.

Um vulto em toda carreira 

Tinha chifre e tinha rabo.

Ele viu que era o diabo

A serpente traiçoeira

 

Fez tanta poeira que

A estrada escureceu

Disse: — Luiz, meu compadre,

Seu tempo aqui se venceu.

Vim buscar a sua alma.

Lula disse: — Tenha calma.

Só se leva quem morreu.

 

            02

Lula disse: — Eu estou vivo.

Olhando para o malvado

Eu não sou seu companheiro.

Você está muito enganado.

Eu já venci a carência.

Tenho muita resistência

E o povo está do meu lado.

 

O diabo deu um salto.

Soltando fogo e fumaça

Tu pensas que és valente.

Mas por mim você não passa.

Irei lhe mostrar então.

Que o político sabichão

Comigo não faz trapaça

 

Lula lhe respondeu, rindo:

Calma lá, seu Satanás.

Nessa história de inferno

Eu não acredito mais

Passei fome no sertão

E até já comi do pão.

Que dizem que você faz.

 

03

O diabo disse: — Você.

Prometia a toda hora

Que ia dar picanha ao povo.

Que hoje lamenta e chora.

Fez o povo de joguete.

Lhe prometendo banquete

Não cumpriu até agora.

 

Lula disse para ele.

Com seu jeito de operário

“Governar não é milagre.

Nem é conto do vigário.

Luto em nome da pobreza.

Para terem pão na mesa.

E você só faz o contrário.

 

Você acha que dá jeito

Gritou o bicho-ruim

O dólar sobe na bolsa.

Com juros que não têm fim.

Como irá sair dessa?

Não vai cumprir a promessa.

Pode acreditar em mim.

 

            04

Lula disse: — Satanás.

Eu não paro de lutar.

Essa inflação é um bicho.

Difícil de amansar

Mas luto com esperança

Para ver cada criança 

À noite, poder jantar.

 

Eu criei o Fome Zero.

Pra ver o povo comer.

Combati a inflação

Fiz este país crescer

Se você quer me levar.

Agora vamos lutar

Para ver quem vai vencer.

 

O diabo, já irritado.

Bateu o pé no cascalho.

E disse: — Você é carta.

Que está fora do baralho.

Mas a justiça é divina.

Irei cortar sua sina.

E ninguém quebra seu galho.

 

05

Lula então se aproximou

Sem medo daquela fera

Justiça se faz na terra.

Na labuta e na espera

Quem foi perseguido e preso.

Sabe bem qual é o peso

De uma nova primavera

 

Deixo de lutar se eu for.

Para debaixo do chão

Para mim, cada operário

É quem sustenta a nação.

Enquanto houver um carente

Lutando contra a corrente

Lhe darei a minha mão.

 

O diabo, com raiva, disse: —

Tu és um cabra teimoso.

Nem o fogo do meu reino

Te deixa mais cauteloso

Lula disse: — Vai-te embora.

Que não chegou minha hora.

Seu bicho feio, invejoso.

 

            06

Eu já venci a injustiça.

Venci o câncer também

Passei por cima da mágoa.

Sem ter ódio de ninguém.

O meu destino é a luz.

Quem a esperança conduz

Nunca teme o mal que vem.

 

O diabo sentiu a força.

Daquele velho barbudo

Que o câncer não conseguiu.

Tirar-lhe a voz deixar mudo

Viu que a fé do retirante.

Não desanima um instante

Pela fé, resiste a tudo.

 

Eu irei, disse o tinhoso

Recolhendo o seu tridente

Atrás de outro politico

Que seja menos valente

Mas irei voltar de novo.

E se enganar o povo.

Me verá na sua frente.

 

            07

Sumiu o cão num estalo.

Deixando o ar poluído

Lula seguiu seu caminho

Pois não estava perdido

Acordou meio assustado

E viu que havia sonhado.

Lutando com o encardido

           

Sentou-se à beira da cama

Pediu um café com pão.

Pensou no futuro incerto

Dessa imensa nação

Sabiá cantou no galho

Anunciando o trabalho

Do nordestino em ação

 

E assim termina a história!

Dessa briga singular

Entre o bicho do inferno.

E quem não sabe parar

Pra ver a missão cumprida.

Nessa estrada da vida

A gente tem que lutar.

 

            08

A moral desse cordel

Eu digo com precisão:

Não há diabo que vença.

Quem está com a razão

Pois a voz da liberdade

É ela a única verdade.

Que liberta o coração.

 

Político vai lá em casa.

A minha porta eu não tranco.

Não brigo por candidato

Isso eu afirmo e sou franco.

No dia da eleição

Sempre vou de coração

E nunca votei em branco.

 

Daqui para a eleição

Agora vou estudar.

Se dessa vez voto em branco!

Isto irei examinar.

Lhe digo sinceramente

Vai ser muito diferente

Até lá, posso pensar.

               FIM

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

 

     PRE-CONCEITO
Autor: Luiz Alves da silva

A palavra pré-conceito
Tem um significado
É sempre sobre um artigo
Ainda não estudado
Mas, quando o assunto é gente.
Só se entende somente
Convivendo lado a lado

É um assunto polemico
Não dou minha opinião
Dizer que alguém por ser preto
Não é honesto é ladrão
O homossexual
Qual o mistério afinal
Já vem da concepção?

Homossexualismo
Já no passado existia
Que em Sodoma e gomorra
Era visto a luz do dia
No nosso tempo presente
Os gays voltam novamente
Se cumprindo a profecia

Todos temos preconceito
Segundo o dicionário
Eu sou preconceituoso
E ninguém faz o contrario
Tem coisas que eu não sei
Só porque não estudei
Igualmente a um vigário

Diga não, ao preconceito...
Estude mais o assunto
É desse jeito que eu faço
Porque se não sei, pergunto.
De gente eu estou falando
Se conhece é conversando
Ou então, vivendo junto.

                                            NOSSO CORDEL BRASILEIRO

                                        ATÉ HOJE NÃO MORREU

                                         Autor: Luiz Alves da Silva

 

Quero convidar você

Como um amigo fiel

Para viajar comigo

Pelo o mundo do cordel,

Nas asas da poesia

Saborear todo dia

Pequenos favos de mel.

 

Que o cordel ia morrer

Houve quem profetizou.

A profecia foi falsa,

Que não se realizou

E hoje ainda ele está vivo,

Mais forte, mais criativo

E a internet ajudou.

 

Ele só teve um descanso,

Dormiu um sono somente,

Mas depois que se acordou

Apareceu mais contente,

Demostrando animação,

Mudou até de feição

E agradou a muita gente.

 

Para entender o cordel,

Vamos fazer regressão.

Quando ele era conhecido

Pelo o povo do sertão:

Romance, contos de fadas,

Folheto de palhaçadas,

Ou feitos de lampião.

 

Ainda não tinha rádio,

Televisão não havia.

Casa que tinha cordéis

Lá toda noite se lia,

Reunia a vizinhança,

Era uma grande festança,

Onde reinava alegria.

 

Leandro Gomes de Barros,

Nosso grande pioneiro,

O criador do cordel

No estilo brasileiro

Fazia e distribuía

E em cada estado havia

Um agente folheteiro.


João Martins de Athayde

Foi ele o seu sucessor.

Na publicação dos livros

Foi um grande produtor.

O cordel se espalhava

E em todo lugar chegava

Sempre agradando o leitor.

 

Pelejas de repentistas

Muita gente apreciava.

Se o verso era interessante,

Tinha alguém que decorava,

Fosse sextilha ou martelo.

Quem ganhava no duelo

Sua fama se espalhava.

 

Tem a do Cego Aderaldo

Com Zé Pretinho do tucum.

Meu pai decorou os versos

Que o cego disse um por um.

Com a pisa que o cego deu

Zé Pretinho dali correu

E foi aquele zum, zum, zum.

 

Ainda lembro alguns livros

Que o meu pai possuía.

Toda semana comprava

Quando na feira ele ia.

A noite, junto aos vizinhos,

Escolhia alguns livrinhos

E para todos eu lia.

 

Livro de reino encantado,

De vaqueiro valentão,

As palhaçadas de Biu,

História do Boi Leitão,

O da louca do jardim,

O reino do mar sem fim

E João sem direção.

 

O herói João de Calais,

Princesa da Pedra Fina,

O pavão misterioso,

O de Alonso e Marina,

Juvenal e o dragão,

José de Souza Leão

E de Vicente e Josina.

  

As proezas de João Grilo,

O valente Zé Garcia,

A donzela Teodora,

Coco verde e melancia,

Tubiba, o desordeiro,

E o soldado Guerreiro,

E o de João e a jia.

 

O de Pedro Malazarte

E o do rei e Camões,

O capitão do navio,

Vicente, o Rei dos Ladrões,

Na minha mente guardei

Muitas coisas que herdei

Das boas recordações.

 

Cada coisa tem seu tempo,

Um velho proverbio diz.

O cordel andou em todos

Estados deste país,

Foi jornal, foi diversão,

Passando de mão em mão,

Fez muita gente feliz.

 

Alguns poetas tiveram

A própria tipografia

Onde fazia os cordéis

Da sua folheteria.

O agente o representava

E o folheteiro comprava

E pelas feiras vendia.

 

Foi em mil e novecentos

E setenta que caiu

A vendagem do cordel

E muito editor faliu.

O rádio, a televisão

Era a nova diversão,

Mas o cordel persistiu.

 

A Editora Luzeiro

Continuou publicando,

José Borges, em Bezerros,

Também ficou editando,

O Costa Leite, em Condado,

Cada um no seu estado

Contra essa maré remando.


E assim vários poetas,

Cada um fez seu papel,

Mesmo sem fazer fortuna,

Para manter o cordel.

Fez das tripas coração

Para não deixar na mão

Aquele leitor fiel.

 

Eu ainda conheci

Os últimos folheteiros

Que iam de feira em feira

Dos estados brasileiros.

Zé Alves, Caruaru,

João Firmino, Aracaju

Andei com os dois guerreiros.

 

Parece que fui o último,

Sou chamado Gauchinho,

Que vendi cordéis nas feiras,

Mas por um tempo curtinho.

Mesmo amando a poesia,

Resolvi um certo dia

Seguir por outro caminho.

 

Fui ser locutor de rádio,

Ensinar religião.

Ainda escrevo cordéis

Apenas por diversão.

Hoje com maior prazer

Por ver ele florescer

Dentro da educação.

 

Hoje quase toda escola

Tem professor ensinando

Sobre o cordel brasileiro.

Muitos alunos gostando

E, nesta grande conquista,

Já tem muito cordelista

Seus livrinhos editando.

 

Meu desejo neste livro

É dar orientação

Para que você escreva

Um cordel com perfeição,

Para a pessoa que o ler

Logo possa perceber

Rima, métrica e oração.

  

Porque um cordel malfeito

Desincentiva o leitor,

Que passa a achar a obra

Algo sem nenhum valor.

Um livro para entreter

No enredo tem que ter

Ação, encanto e humor.


Nosso cordel brasileiro,

Desde os seus anos de glória,

Ele foi sempre um livrinho

Relatando uma história.

Poesia em cordel tem

Os mesmos versos também,

Mas segue outra trajetória.

 

Na poesia, o poeta

Escreve com sentimento

O que viu e o que sentiu

Tão ligeiro igual ao vento

Revela o que estava oculto.

Quem lê precisa ser culto

Para entender no momento.

 

O poeta popular

Ele é mais extrovertido,

Sua poesia é pura

Já traz consigo o sentido

Do que ele quer lhe falar

No jeito de versejar

Sendo assim compreendido.

 

Por exemplo Zé Limeira,

O famoso Zé da luz,

Patativa do Assaré,

Junta feijão com cuscuz

Faz um poema matuto,

Que até o sujeito culto

Com os seus versos seduz.

 

E cada modalidade

É usada paralela.

Uma relata uma história,

Outra, a poesia bela

E quem aprende a lição

Escreve com precisão,

Bom poeta se revela.

 

Leitores fiz um relato

Autêntico do folheteiro

Lutando para viver,

Vive esse grande guerreiro.

Esta é a trajetória

Sobre o cordel brasileiro.