Lula Briga Com o Diabo
Por causa da eleição.
Autor: Luiz Alves da Silva
Lula ia caminhando
Numa estrada de poeira
Avistou à sua frente.
Um vulto em toda carreira
Tinha chifre e tinha rabo.
Ele viu que era o diabo
A serpente traiçoeira
Fez tanta poeira que
A estrada escureceu
Disse: — Luiz, meu compadre,
Seu tempo aqui se venceu.
Vim buscar a sua alma.
Lula disse: — Tenha calma.
Só se leva quem morreu.
02
Lula disse: — Eu estou vivo.
Olhando para o malvado
Eu não sou seu companheiro.
Você está muito enganado.
Eu já venci a carência.
Tenho muita resistência
E o povo está do meu lado.
O diabo deu um salto.
Soltando fogo e fumaça
Tu pensas que és valente.
Mas por mim você não passa.
Irei lhe mostrar então.
Que o político sabichão
Comigo não faz trapaça
Lula lhe respondeu, rindo:
Calma lá, seu Satanás.
Nessa história de inferno
Eu não acredito mais
Passei fome no sertão
E até já comi do pão.
Que dizem que você faz.
03
O diabo disse: — Você.
Prometia a toda hora
Que ia dar picanha ao povo.
Que hoje lamenta e chora.
Fez o povo de joguete.
Lhe prometendo banquete
Não cumpriu até agora.
Lula disse para ele.
Com seu jeito de operário
“Governar não é milagre.
Nem é conto do vigário.
Luto em nome da pobreza.
Para terem pão na mesa.
E você só faz o contrário.
Você acha que dá jeito
Gritou o bicho-ruim
O dólar sobe na bolsa.
Com juros que não têm fim.
Como irá sair dessa?
Não vai cumprir a promessa.
Pode acreditar em mim.
04
Lula disse: — Satanás.
Eu não paro de lutar.
Essa inflação é um bicho.
Difícil de amansar
Mas luto com esperança
Para ver cada criança
À noite, poder jantar.
Eu criei o Fome Zero.
Pra ver o povo comer.
Combati a inflação
Fiz este país crescer
Se você quer me levar.
Agora vamos lutar
Para ver quem vai vencer.
O diabo, já irritado.
Bateu o pé no cascalho.
E disse: — Você é carta.
Que está fora do baralho.
Mas a justiça é divina.
Irei cortar sua sina.
E ninguém quebra seu galho.
05
Lula então se aproximou
Sem medo daquela fera
Justiça se faz na terra.
Na labuta e na espera
Quem foi perseguido e preso.
Sabe bem qual é o peso
De uma nova primavera
Deixo de lutar se eu for.
Para debaixo do chão
Para mim, cada operário
É quem sustenta a nação.
Enquanto houver um carente
Lutando contra a corrente
Lhe darei a minha mão.
O diabo, com raiva, disse: —
Tu és um cabra teimoso.
Nem o fogo do meu reino
Te deixa mais cauteloso
Lula disse: — Vai-te embora.
Que não chegou minha hora.
Seu bicho feio, invejoso.
06
Eu já venci a injustiça.
Venci o câncer também
Passei por cima da mágoa.
Sem ter ódio de ninguém.
O meu destino é a luz.
Quem a esperança conduz
Nunca teme o mal que vem.
O diabo sentiu a força.
Daquele velho barbudo
Que o câncer não conseguiu.
Tirar-lhe a voz deixar mudo
Viu que a fé do retirante.
Não desanima um instante
Pela fé, resiste a tudo.
Eu irei, disse o tinhoso
Recolhendo o seu tridente
Atrás de outro politico
Que seja menos valente
Mas irei voltar de novo.
E se enganar o povo.
Me verá na sua frente.
07
Sumiu o cão num estalo.
Deixando o ar poluído
Lula seguiu seu caminho
Pois não estava perdido
Acordou meio assustado
E viu que havia sonhado.
Lutando com o encardido
Sentou-se à beira da cama
Pediu um café com pão.
Pensou no futuro incerto
Dessa imensa nação
Sabiá cantou no galho
Anunciando o trabalho
Do nordestino em ação
E assim termina a história!
Dessa briga singular
Entre o bicho do inferno.
E quem não sabe parar
Pra ver a missão cumprida.
Nessa estrada da vida
A gente tem que lutar.
08
A moral desse cordel
Eu digo com precisão:
Não há diabo que vença.
Quem está com a razão
Pois a voz da liberdade
É ela a única verdade.
Que liberta o coração.
Político vai lá em casa.
A minha porta eu não tranco.
Não brigo por candidato
Isso eu afirmo e sou franco.
No dia da eleição
Sempre vou de coração
E nunca votei em branco.
Daqui para a eleição
Agora vou estudar.
Se dessa vez voto em branco!
Isto irei examinar.
Lhe digo sinceramente
Vai ser muito diferente
Até lá, posso pensar.
FIM


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